31 de março, 2006
Nó
Música: Breathless - The Corrs (clicalí no Iscutaí e leia a letra aqui)
Nó
Flora Figueiredo
Estou perdidamente emaranhada
em seus fios de delícias e doçuras.
Já não encontro o começo da meada,
não sei nem mesmo
se há uma ponta de saída,
ou se a loucura
vai num ritmo crescente
até subjugar a minha vida.
Não importa.
Quero seus nós de seda
cada vez mais cegos e apertados
a me costurar nas malhas e nos pêlos.
Enquanto você me amarra,
permanece atado
na própria trama redonda do novelo.
Beijos estalados... de sempre.. prá sempre!
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25 de março, 2006
Márcia Aparecida Silva Zauza
Imagem: Your Soul
Música: Chama da Paixão - Jane Duboc (Composição: Cido Bianchi E Thomas Roth) - Clicalí no Iscutaí
O Dia em que o Sol Encontrou-se com a Lua
Márcia Aparecida Silva Zauza
Conta-se, que há muito o Sol andava tristonho pela Terra.
Seus raios, já não eram tão “fortes” como antes e por mais que o fizesse, sempre era encoberto por alguma nuvem escura que percorria o céu num forte vendaval.
Os pássaros, as flores, os animais, todos se questionavam sobre o distanciamento do sol.
Numa manhã; que seria bem mais bonita, se o Sol estivesse com seu esplendor total; uma ave de vôo inigualável chamada Condor; arriscou-se e quis tentar conversar com o astro rei.
O sol percebendo a dificuldade do Condor para se aproximar, tranqüilizou-o dizendo:
- Linda ave; de vôo quase perfeito, porque queres chegar a mim, se estou por toda parte deste planeta?
O Condor ouvindo a pergunta do Sol lhe respondeu, já exausto pelo vôo:
- Gostaria muito de saber o que lhe deixa tristonho. O planeta está quase sem tua luz: os pássaros já não sabem mais para onde ir; as flores, principalmente o girassol; já não sabe mais se fica acordado ou se dorme; os animais já não sabem mais se ficam em suas tocas ou saem para caçar; as lavouras estão se perdendo... Tudo está tão confuso, que resolvi arriscar este vôo e lhe perguntar qual seria o problema.
O Sol percebendo a preocupação do Condor disse-lhe:
- Não sabia que estava causando tantos transtornos! Confesso que me absorvi em meus pensamentos, que não me dei conta do que estava fazendo. Posso tentar solucionar isto tudo; prometo tentar...
O Condor percebendo a “dúvida” que ficou nas palavras do Sol, ainda insistiu na mesma pergunta:
- Mas o que está ocorrendo, que lhe tirou a atenção do resto do mundo? Poderia lhe ajudar, se você me dissesse o motivo.
O Sol ainda encoberto, disse-lhe:
- Acho difícil alguém me ajudar... Muito difícil mesmo... E já que está disposto a conversar, diga-me: você já amou alguém Condor?
O Condor apoiou-se nas encostas de uma montanha; abaixou sua cabeça sem olhar para o abismo e respondeu:
- Sim, já amei... Amei uma linda ave, que não era um Condor...Amei e sonhei... Muito... E porque você me pergunta isto? Você que é o Sol! Que possui bem mais dotes do que eu; que possui o poder em suas mãos? Não é possível que não consegue conquistar o amor de sua amada? Qualquer dama se renderia à sua luminosidade; ao seu esplendor; ao seu magnetismo natural; ao seu calor...
E antes mesmo que o Condor continuasse, o Sol o interrompeu dizendo:
- Qualquer uma, menos ela...
O Condor já intrigado de tanta curiosidade, então perguntou:
-Quem Sol? Quem é ela? Que dama lhe ofusca os olhos?
O Sol, então olhou para o infinito e disse-lhe com o semblante bem tristonho:
- A Lua... A Lua, amigo!
Neste instante o Condor em respeito ao Sol, segurou seu sorriso e disse-lhe:
- A Lua? Como você apaixonou-se por ela? Como isso aconteceu?
O Sol percebendo o espanto do Condor, lhe respondeu:
- Aconteceu, que nos encontramos por algumas vezes... Em frações de segundos em alguns lugares, mas nos encontramos! Por que você está surpreso com isso?
O Condor percebendo que o Sol já estava se exaltando, tentou explicar:
- Por favor amigo, não quero que fique nervoso comigo. Apenas estranhei a Lua ser sua amada...
- Como estranhou? Nunca lhe perguntei a quem você amou e se tivesse dado certo, você não me responderia da maneira como me respondeu!
O Condor então disse: - Sim, você está certo... Desculpe-me! O que estranhei,
foi que você viu muito pouco esta bela criatura, para poder se apaixonar por ela.
Neste instante o Sol então respondeu:
- Sim muito pouco... Muito pouco mesmo... Mas nestas poucas vezes, enxerguei dentro dos olhos dela. Vi toda a beleza que ela trazia dentro de si... Enxerguei o seu coração... Senti-o bem próximo a mim... Acreditei naquele olhar... Vi cumplicidade... Vi entrega... Vi amor...
O Condor, observou que o Sol lhe falava, mas seus olhos ficavam fixos no infinito, procurando talvez os olhos da Lua.
Então disse-lhe:
- Ora, ora amigo, tenho que pensar em uma maneira de lhe ajudar. E lhe ajudando, estarei sendo ajudado... não só eu, todo o planeta!
O sol com mais emoção então perguntou:
- Como você poderá me ajudar?
- Devagar amigo! Primeiro preciso me encontrar com alguns amigos de hábitos noturnos e depois lhe darei a resposta.
E o Condor saiu voando mais que rapidamente e em menos de 5 horas; quase à noitinha, apareceu junto à encosta de uma montanha, onde o Sol já se reclinara para adormecer e disse-lhe:
- Veja amigo, o que trouxe junto a mim! São vários amigos de hábitos noturnos e todos eles estão dispostos a lhe ajudar, se você continuar durante o dia no céu, mais forte do que nunca! É esta a única condição imposta por eles, para lhe ajudar!
O sol intrigado com tantos animais ao seu redor, então os perguntou:
- Então digam, o que vocês fariam?
Neste instante uma coruja, com a fisionomia bem experiente e sábia, disse-lhe:
- Levaríamos à Lua, seus recados; suas notícias... Tudo que precisar!
O Sol neste momento bramiu com grande satisfação ao dito pela coruja.
E depois sorriu aliviado dizendo:
- Então digam a ela uma “coisinha” muito importante; que nunca tive tempo para dizer; pois quando nos víamos, ficava tão preocupado pelo pouco tempo de encontro; que esquecia de lhe dizer... Digam a ela, que a amo! Que a amo, mais do que tudo! Que estarei sempre esperando para nos encontrarmos! Que serei guardião do dia e ela será a guardiã da noite... E trabalhando juntos, os dias e noites se passarão sem erros e nos veremos novamente! E quando nos encontrarmos novamente, a amarei mais e mais... Nem que demore meio século para este encontro, mas a amarei!
Os animais neste instante se emocionaram com a clareza e transparência do Sol.
Agora sim, ele foi sincero em seu sentimento. Ele não o escondeu entre as nuvens escuras e não teve medo de falar o que sentia.
E a noite chegou.
A primeira a levar o recado foi a coruja. Do alto de uma árvore, disse à Lua as palavras do Sol.
Naquela noite, uma chuva muito branda mas “molhada”, molhou a Terra.
Cada gota de água da chuva, representava emoções e sensibilidade da Lua.
Cada gota de chuva representava lágrimas de amor da Lua! Lágrimas de esperanças... Lágrimas de satisfação... Lágrimas de confiança... Agora a Lua sabia que não estava só... E um dia, se encontraria novamente com o Sol...
Nem que demorasse meio século... Mas o encontraria... Na imensidão do tempo...
Beijos estalados... de sempre... prá sempre!!!
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21 de março, 2006
Flora Figueiredo
Música: Olhos de Jade - Beto Guedes (clicalí no Iscutaí)
Flutuações
O sonho aprendeu a pairar bem alto,
lá onde o sobressalto nem sequer nasceu.
Namorou a trôpega ilusão,
até que trêfego e desajeitado,
desprendeu-se de seu reino idealizado,
veio pousar tamborilante em minha mão.
Assim, aquecido e aconchegado,
parece que se esqueceu de ir embora.
Na hora em que ressona distraído,
eu lhe pingo malemolências ao ouvido,
à sua inquietação eu me sujeito.
Eis que o sonho dorme agora aqui comigo,
seu corpo repousa no meu peito.
"Sei que te amo e quero ser feliz... sim eu te amo e quero ser feliz... sem fim!" (Beto Guedes - Olhos de Jade)
Beijos estalados.. de sempre.. prá sempre!!
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16 de março, 2006
Nelson Motta
Música: Cenas de um amor - Leila Pinheiro (música de Nelson Motta - clicalí no Iscutaí)
Música também é poesia, né? Então lá vai.. escuta esta e vê que letra mais linda!!
Cenas de um amor - Nelson Motta
Quando vi teu olhar, teu sorriso rosado
Compreendi já não sou meu, meu coração tremeu.
Vinha só, quase em paz, só querendo estar vivo.
Tudo que eu queria era só, só nunca mais querer.
Nessas ruas desertas, sob o sol da manhã.
Canções que ainda vão ser cantadas.
Suave perfume de amor no ar.
Qual será teu mistério?
São teus olhos de céu?
Serão teus cabelos de outono?
Será teu corpo de seda marfim?
Quando ouvi tua voz, me dizendo te quero, mais eu te quis.
Emudeci.
Meu coração cantou.
Dar as mãos, caminhar, e a cidade vazia.
Tonto de alegria, sorri e me senti feliz.
(tirei a letra ouvindo a música, se alguém ver algo errado me avise, por favor.. eu e o google não nos entendemos mesmo, procurei de cima abaixo e não encontrei.. rs)
Beijo estalados... de sempre... prá sempre!!
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13 de março, 2006
Vinícius de Moraes
Música: Coração na Boca - Zélia Duncan (clicalí no Iscutaí)
As Borboletas
Brancas
Azuis
Amarelas
E pretas
Brincam
Na luz
As belas
Borboletas
Borboletas brancas
São alegres e francas.
Borboletas azuis
Gostam muito de luz.
As amarelinhas
São tão bonitinhas!
E as pretas, então . . .
Oh, que escuridão!
E os pinguins?.. Pro Alaska.. Pa bo enten mei pa ba...!!
Beijos estalados... de sempre... prá sempre!!
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10 de março, 2006
W.H.Auden
Música: Here With Me - Dido ( se clicar alí no Iscutaí e ouvir a música, lendo o poema, fica ainda mais lindo)
FUNERAL BLUES (1936) - W.H.Auden
Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.
Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message He Is Dead,
Put crêpe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.
He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last for ever: I was wrong.
The stars are not wanted now: put out every one;
Pack up the moon and dismantle the sun;
Pour away the ocean and sweep up the wood;
For nothing now can ever come to any good.
BLUES FÚNEBRE
Parem todos os relógios, desliguem o telefone,
Impeçam o cão de latir com um osso enorme,
Silenciem os pianos e ao som abafado dos tambores
Tragam o caixão, deixem as carpideiras carpir suas dores.
Deixem os aviões aos círculos a gemer no céu
Rabiscando no ar a mensagem Ele Morreu,
Ponham laços crepe nas pombas brancas da nação,
Deixem os sinaleiros usar luvas pretas de algodão.
Ele era o meu Norte, meu Sul, meu Este e Oeste,
Minha semana de trabalho, meu Domingo de festa
Meu meio-dia, meia-noite, minha conversa, minha canção;
Pensei que o amor ia durar para sempre: foi ilusão.
As estrelas já não são precisas: levem-nas uma a uma;
Desmantelem o sol e empacotem a lua;
Despejem o oceano e varram a floresta;
Porque agora já nada de bom me resta.
Triste, mas lindo demais... este poema me foi apresentado por um amigo... ele fez um filminho, daqueles de Flash, com esta música e o poema. Ficou lindo... eu adorei.... aí outro dia, ele me disse: - Sabe aquele poema do filminho que fiz?..Eu disse: - Sim, sei.. e ele acrescentou: - Achei uma tradução maravilhosa dele.
Lí.. adorei.. lindo.. lindo...perguntei: - Me permite postar qq dia desses?.. ele: Claro, pode sim.
Obrigada a mais um amigo que me leva à poesia... onde ando tão mergulhada.
E aí está... um poema lindo.. triste demais, mas lindo... espero que tenham gostado.
Beijos estalados.... de sempre... prá sempre!!
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04 de março, 2006
Cecília Meireles
Canção Mínima
No mistério do Sem-Fim,
equilibra-se um planeta.
E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro;
no canteiro, uma violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,
entre o planeta e o Sem-Fim,
a asa de uma borboleta.
Cecília Meireles (Canções, 1956)
Beijos estalados... de sempre... prá sempre!!
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